sábado, 18 de junho de 2011

Porque é que África encanta?

Ouvimos muitas vezes falar de África como um continente que como que enfeitiça as pessoas para sempre, verdade seja dita que sinto por vezes que África tem os seus encantos, mas tem igualmente os seus “desencantos” que por vezes nos levam a pensar: “mas que raio faço eu aqui? Preciso mesmo de aturar isto?”. Verdade ou não, esse deve ser o encanto africano, é que todos vamos ficando semana após semana, mês após mês e quando damos por ela e fazemos as contas 1 ou 2 anos já passaram.
Melhor que explicar por vezes é mesmo sentir/ver as coisas.




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

António Lobo Antunes

Ainda não decidi se gosto ou não da escrita de António Lobo Antunes (ALA), tenho lido algumas crónicas na revista visão, uma ou outra coisita aqui ou ali, mas ainda não tenho a opinião formada. Se por vezes me parece que a escrita dele flui como as águas de um ribeiro de pois de um dia de trovoada e entranha-se em nós como o calor africano, há alturas em que me parece que está a fugir mais para o "pretensioso burguês" (bem acho que acabei de inventar um adjectivo e se calhar não foi nada brilhante). Contudo descobri este poema da autoria de ALA, que quando lido na cadência certa é fabuloso, espero que gostem dele tanto quanto eu...

António Lobo Antunes

"Todos os homens são maricas quando estão com gripe”
(pasodoble)


Pachos na testa
terço na mão
uma botija
chá de limão
zaragatoas
vinho com mel
três aspirinas
creme na pele
grito de medo
chamo a mulher
ai Lurdes Lurdes
que vou morrer
mede-me a febre
olha-me a goela
cala os miúdos
fecha a janela
não quero canja
nem a salada
ai Lurdes Lurdes
não vales nada
se tu sonhasses
como me sinto
já vejo a morte
nunca te minto
já vejo o inferno
chamas diabos
anjos estranhos
cornos e rabos
vejo os demónios
nas suas danças
tigres sem listras
bodes de tranças
choros de coruja
risos de grilo
ai Lurdes Lurdes
que foi aquilo
não é chuva
no meu postigo
fica comigo
não é vento
a cirandar
nem são as vozes
que vêm do mar
não é o pingo
de uma torneira
põe-me a santinha
à cabeceira
compõe-me a colcha
fala ao prior
pousa o Jesus
no cobertor
chama o doutor
passa a chamada
ai Lurdes Lurdes
nem dás por nada
faz-me tisanas
e pão-de-ló
não te levantes
que fico só
aqui sozinho
a apodrecer
ai Lurdes Lurdes
que vou morrer.


OBS: Depois deste poema ele começa a fluir bastante melhor

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Natal 2010

O poeta Pablo Neruda dizia que o poder das metáforas são os melhores argumentos que podemos usar...

No caso do e um expatriado (nome "pomposo" que se dá ás pessoas que estão a trabalhar fora do seu país, sim porque agora deixamos de ser simplesmente emigrantes) as metáforas podem ajudar é certo, quanto mais não seja, a passar a mensagem de cada vez que ligamos para Portugal.

Quanto ás dificudades que passamos longe de casa, o que ajuda a superar e a minimizar essas tais dificuldades são três factores, que conjugados na perfeição ultrapassam com mais facilidade todas as contrariedades.

1) Força Mental.
2) Apoio incondicional daqueles que lhe são mais queridos.
3) Aprender a relativizar.

Penso que no meu caso o primeiro e segundo itens são os que mais facilmente ultrapasso, até porque sempre foi umas das armas que usei melhor foi a minha força interior, e quanto ao apoio que tenho recebido daqueles que me são mais queridos, apenas posso descrever como fantástico (Todos meus Familiares e Amigos dão-me um apoio fenomenal, mas vós (Ricardo e Sofia) neste aspecto vocês são incansáveis ajudam-me muito mais do que possam imaginar) e ajudam-me a ultrapassar mais facilmente todas as adversidades que tenho encontrado.

Mas o que realmente aprendi nesta vinda para Angola foi o poder de relativizar as coisas. Dizemos muitas vezes que o Natal é quando homem quiser, mas dizemo-lo muitas vezes da boca para fora sem nunca pensar verdadeiramente no significado dessa frase. O mesmo se aplica a datas e eventos que por vezes pensamos ser demasiadamente importantes e que não podemos de maneira nenhuma faltar, mas afinal que significado trazem essas datas, que por vezes só nesses momento (1 vez por ano) é que nos lembramos delas, e porque não fazemos antes uma recordação dessas datas todos os dias? As coisas vistas do outro lado do equador tem outro significado, ainda para mais se juntarmos a isso o facto de estarmos a 7000km de casa.

Todos dias podem ser dias de Natal, todos dias podem ser dias de festa, o importante é saber aproveitar cada dia que passa para podermos acrescentar vida aos nossos dias.

O importante não é destino mas sim a viagem...


Cá todos os dias eu lembro-me vocês


Para meus avós.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Viagem Soyo ---> Luanda

Sempre que se falava da viagem do Soyo para Luanda de carro havia logo quem tivesse mil uma opiniões acerca dessa viagem, mesmo que a viagem mais longa que tenham feito em Angola seja desde do Soyo até á praia de Kifuma. É uma viagem dolorosa quase 500km de distância e quase todos eles feito em picada onde por vezes ficamos com sensação que é impossível alguém conseguir passar naquele caminho completamente destruído, mas o que é certo é que passa lá muita gente e diariamente.

Tive que ir de carro para Luanda porque (aqui vou usar um eufemismo) me faltavam uns “papelitos” que tornavam a minha ida para Luanda de avião impossível de se realizar, por isso, a solução arranjada foi vir um carro da empresa buscar-me ao Soyo e no mesmo dia regressar comigo a Luanda. A ideia à primeira vista nem parece nada má, uma viagem por Angola de carro conhecer novas aldeias e cidades ver coisas que não teremos mais oportunidade de as ver parece uma ideia até interessante, mas quando pensei melhor no que ia fazer reparei que ia fazer uma viagem sim, mas com alguns pormenores interessantes tais como: fazer uma viagem com 3 desconhecidos no meio de África; num terreno em super mau estado; de noite; onde não há rede de telemóvel em 99% do caminho e ainda por cima sem os tais “papelitos” digamos que o cenário começa a ficar complicado quando pensei melhor.

Mas lá partimos à aventura nesse dia 11 de Agosto, Eu e mais 3 companheiros de viagem (Artur, Júlio e Alegria) a viagem começa bem não há grandes problemas quando dois Angolanos ocupam os lugares da frente do Jipe, pois assim tens a garantia (ainda que relativa) que não haverá problemas nos postos de controlo (sim porque em Angola para viajares dentro próprio país tens de passar por postos de controlo que são instalados ao longo das estradas Angolanas) caso nesses postos de controlo não tenhas os tais “papelitos” terás naturalmente que usar outro tipo de “papelitos” para resolver o problema. Estava preparado ($$$)e sabia que iria encontrar ao longo do caminho pelo menos 3 postos de controlo, pois era esse numero que maior parte das pessoas diziam terem encontrado quando fizeram essa viagem, mas na verdade não encontrei 3 postos de controlo mas sim 3X3 ou seja no total passei por 9 postos de controlo sem quais queres problemas.

É naturalmente uma viagem que não mais se esquece quer pela aventura quer também pela paisagem que se vai encontrando, ficam aqui apenas alguns registos fotográficos dessa viagem que quero partilhar convosco.

sábado, 16 de outubro de 2010

De Volta

Ora estou de volta depois de mais de 2 meses de ausência (não forçada) apenas não me deu vontade :-) fiquei na preguiça, deve ser dos ares de Angola que já me estão a afectar.
Desde da ultima vez que escrevi aqui muito se passou, vou tentar, ainda que com algum atraso retratar algum desses episódios que penso serem interessantes. Desde da ida de carro entre o Soyo e Luanda até ao meu regresso novamente ao Soyo, que nesta segunda rotação está ser bastante mas mesmo bastante "doloroso". Sempre pensei que a segunda rotação seria mais fácil de passar, mas puro erro, está custar-me imenso e segundo explicação de João Faustino (A.K.A. Boss Camp da Lyon ou simplesmente = O Caseiro) a 1ª Rotação passa bem pois tudo é novidade, já a 2ª rotação custa imenso pois já sabes bem o que te espera, quando chegas à 3ª rotação já nem sentes estás resignado teu destino :-).
Prometo para breve (ainda na próxima semana) relato dessa viagem para Luanda.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Music from ANGOLA

Esta musica diz algo a quase todos que por esta terra passam.




Matias Damásio - Angola minha terra

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Momentos

Hoje não me apetece escrever muita coisa apenas partilhar alguns momentos vividos no Soyo


































A verdade é que esta terra tem ainda muitos encantos, apesar de todos os dias haver imensas dificuldades...




NO pain, No gain